Seu filho sofre com o intestino preso?

smiling baby sitting on chamber pot with toilet paper

Para algumas crianças ir ao banheiro é algo corriqueiro, mas para outras o vaso sanitário pode ser visto como um grande inimigo. Segundo Mauro Batista de Morais, presidente do departamento de gastroenterologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o normal é evacuar de uma vez a cada dois dias até duas vezes ao dia.

Caso a criança não costume ir ao banheiro com frequência, fique atento. Alguns sintomas como dor ou esforço para eliminar as fezes, cocô com resistência dura, tipo bolinha, ou fezes muito grossas (no caso de crianças maiores) podem ser sinais de problemas com o intestino.

No caso de constipação intestinal, as causas geralmente são biológicas, como alimentação pobre em fibras ou alterações na velocidade do funcionamento do intestino, que pode se mover com mais lentidão, por exemplo.

Algumas das sugestões de especialistas é enriquecer o cardápio com cereais integrais, verduras, legumes e, no mínimo, três frutas por dia (que devem ser ingeridas com casca, de preferência).

No caso de bebês, o leite materno é fundamental, já que ele contém oligossacarídeos, substâncias prebióticas que favorecem o desenvolvimento de uma flora intestinal saudável, propiciando, dessa forma, evacuações com menor consistência.

Segurar? Jamais!

Além de causas biológicas, podem haver também fatores psicossociais que possam colaborar para problemas intestinais. Algumas crianças que têm dificuldades e dor ao evacuar tendem a reter as fezes, o que pode fazer com que o problema evolua para quadros mais complicados, e que provavelmente precisem de tratamentos com medicamentos.

Segurar a vontade de ir ao banheiro é prejudicial, já que ao contrair as fezes, estas voltam para o reto até o desejo de evacuar passar. Quando isso acontece repetidas vezes, as fezes ficam cada vez maiores e mais rígidas, dificultando ainda mais a eliminação.

Para evitar comportamentos deste tipo, os pais devem incentivar os filhos a irem ao banheiro sempre que tiverem vontade. Uma sugestão é que a criança vá ao banheiro após as principais refeições. Mesmo que não esteja com vontade na hora, ela pode se sentar no vaso por um período de 10 a 15 minutos. Nesse momento, há um reflexo gastrocólico que favorece a eliminação das fezes.

No caso de crianças menores, é adequado equipar o vaso com redutor de assento e apoio para os pés.

Tudo a seu tempo

Um dos principais responsáveis por uma má relação entre crianças e o banheiro é o desfralde precipitado. A retirada precoce das fraldas pode colaborar para a constipação.

O controle esfincteriano anal (controle para segurar o cocô e ir ao banheiro) deve ser iniciado a partir dos 2 anos de idade, quando a criança está preparada neurologicamente.

Procure um médico quando:

– a criança apresentar sintomas iniciais ou mesmo leve de constipação. O ideal é procurar um pediatra para orientar medidas terapêuticas que evitem o agravamento e a cronicidade do quadro.

– a criança apresentar qualquer sinal de alarme sugestivo de constipação de origem orgânica: atraso de eliminação do mecônio (primeiras fezes do recém-nascido, normalmente eliminadas nas primeiras 48 horas após o nascimento), sintomas de constipação nos primeiros meses de vida, distensão abdominal (barriga estufada), atraso de crescimento ou do desenvolvimento neuropsicomotor.

– a criança apresentar quadros graves e prolongados de constipação.

 

Fonte: Revista Crescer