Enxaqueca

Enxaqueca-22-11

A enxaqueca afeta mais de 30 milhões de brasileiros, em sua maioria, mulheres. Esse problema de saúde é sério e precisa de acompanhamento médico especializado.

Pessoas acometidas pela enxaqueca tem as suas atividades diárias interrompidas com as crises, que podem durar de 4 a 72 horas. Além disso, muitas dessas pessoas utilizam mais analgésicos que o recomendado, mais de 2 comprimidos por semana.

De acordo com a dra. Célia Roesler, vice-coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, quem tem dores de cabeça mais de duas vezes por semana deve procurar ajuda médica.

No entanto, o diagnóstico nem sempre é fácil, muitas vezes o paciente passa por vários neurologistas antes de obter o diagnóstico e tratamento corretos.

Os exames solicitados, como tomografia e ressonância, servem apenas para descartar doenças secundárias, como tumor e aneurisma, explica a médica. Para diagnosticar a enxaqueca é necessário analisar o histórico do paciente, como hábitos alimentares, comportamentos e história familiar, ajudando o paciente a identificar possíveis fatores desencadeadores. Para isso, pode ser utilizado um diário da dor.

A dor da enxaqueca é latejante e de um lado só, podendo mudar de lado. Na fase crítica, a pessoa pode desenvolver intolerância à luz, aos ruídos e a odores, além de náusea e vômito que ocorrem devido a uma estase gástrica, quando a digestão e absorção do que foi consumido são suspensas.  Realizar movimentos bruscos com a cabeça e esforço físico ou mental também podem agravar o sofrimento na fase aguda.

Estima-se que essas crises comprometam 1,4% do total de anos de vida saudável de uma pessoa.

 

Causas

Existem alguns fatores que podem servir como gatilho para alguns pacientes, desencadeando a enxaqueca. São eles:

– Alimentação: Queijos curados, molhos, vinho tinto, café e chocolates. Esses alimentos liberam substâncias inflamatórias que dilatam os vasos cerebrais e ajudam a desencadear a dor de cabeça.

– Luz, odores fortes e barulho alto

– Oscilações hormonais, pelas quais grande parte das mulheres passa durante a vida. “Durante a menstruação, por exemplo, o nível de estrogênio diminui. Com isso, os vasos sanguíneos se dilatam, ocasionando as dores”, afirma a dra. Célia.

A médica faz um alerta para o risco de utilizar anticoncepcionais, especialmente se a mulher tiver enxaqueca com aura (fenômeno sensorial que antecede a dor) e for fumante. “Esses fatores associados triplicam a probabilidade de derrame.”

 

Tratamento

Enxaqueca precisa ser tratada logo, caso contrário, piora muito. Alguns pacientes que não recebem tratamento adequado, passam a ter crises de enxaqueca diariamente. O que pode levar a um uso excessivo de analgésicos, e ao aumento progressivo das doses. Neste caso, pode ocorrer o efeito rebote com o agravamento dos sintomas.

O paciente pode fazer uso de medicação preventiva, para reduzir a frequência e a intensidade das crises. Já para os momentos de dor aguda, o médico pode indicar o uso de sumatriptana, droga que reverte a dilatação dos vasos e diminui a transmissão da dor, e de naproxeno, que diminui a inflamação.

Em todos os casos, é necessário o acompanhamento de um neurologista.

A prática de atividades físicas como ioga, pilates ou caminhada libera endorfinas, que ajudam no controle da dor, por isso é recomendado manter-se ativo.

Fonte: Drauzio Varella